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Uber começa a fazer entregas de supermercado no Brasil

Serviço chega nesta terça-feira a 11 cidades brasileiras em parceria com a startup Cornershop, que foi comprada pela gigante americana em 2019 e opera no País desde janeiro; lançamento acirra concorrência com iFood e Rappi

O Uber vai começar a oferecer nesta terça-feira, 7, um novo serviço no Brasil: entregas de supermercado. Disponível a partir desta data em onze cidades do País, o lançamento será feito em parceria com a startup chilena Cornershop, que foi comprada pela companhia de transporte por aplicativos em 2019 e, desde janeiro, opera no território nacional. Os pedidos poderão ser feitos por meio dos apps da empresa, Uber e UberEats, que passarão a ter a aba Mercado.

Nela, será possível escolher os itens por estabelecimento, navegar por "corredores virtuais" de uma loja favorita ou então fazer uma busca geral para comparar preços em diferentes lojas. Entre os parceiros do Uber, estão os supermercados Carrefour, BIG e Varanda, a rede de pet shops Cobasi e a loja de materiais de escritório e informática Gimba. Também será possível agendar o horário da entrega - a promessa é de que os itens podem chegar até duas horas depois do pedido, no mínimo.

Segundo a empresa, a atualização com a nova funcionalidade começará a chegar aos usuários que estão nas onze cidades a partir desta terça-feira e estará disponível para todos "ao longo das próximas
semanas". O grupo de cidades em que o serviço de mercado estará disponível inclui São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Salvador, Recife, Goiânia e Campinas. Para quem já usa o app da Cornershop, nada muda: ele seguirá com funcionamento independente, afirmaram as empresas.

Integração é apenas para consumidor, por enquanto
Além do Brasil, o lançamento ocorrerá simultaneamente em outros seis países da América Latina, onde a Cornershop disputa mercado com a colombiana Rappi. Por aqui, a disputa também acontecerá contra
o iFood, que lançou serviço semelhante em 2019 e tem visto números de crescimento relevantes durante a pandemia do coronavírus.

É algo que não intimida o sueco Oskar Hjertonsson, fundador e presidente executivo da Cornershop. "Não focamos na concorrência e o Brasil tem sido o País com melhor desempenho que tivemos desde a
estreia", disse ele durante sessão com jornalistas nesta segunda-feira, 6, da qual o Estadão participou.

A integração com o Uber deve impulsionar a Cornershop por aqui, diz Raj Bier, líder da área de Mercado do Uber Eats. "O Brasil é um dos nossos maiores mercados em termos de viagens e acredito que poderemos ter o mesmo impacto nesse novo serviço", afirmou o executivo. "É algo que já era importante para o consumidor antes da pandemia e se tornou ainda mais. É o novo normal, antes dele
existir", complementou Daniel Danker, líder de produto do UberEats.

Por enquanto, a integração será apenas para os consumidores - as compras e as entregas serão de responsabilidade dos profissionais parceiros da Cornershop. "Os motoristas e entregadores do Uber que quiserem se inscrever serão bem-vindos. No futuro, vamos facilitar a integração entre os dois apps", disse Hjertonsson. Segundo ele, a preferência será para motoristas. "Podemos usar motos e

bicicletas, mas a maior parte dos pedidos são grandes, então preferimos carros", afirmou o executivo.

Além de usar entregadores, a Cornershop também tem uma equipe de compradores parceiros, em um modelo muito semelhante ao que já é usado hoje pelo Rappi no País. Há um motivo técnico para a
integração dos parceiros não acontecer neste momento, mesmo com a queda na demanda de viagens pelo Uber por causa da pandemia. Isso porque a conclusão da compra da Cornershop pelo Uber ainda
depende de aprovações regulatórias em alguns países da América Latina - algo que a empresa espera que seja concluído nos próximos dias.

Durante a coletiva, o sueco deu a entender ainda que a América Latina é apenas o primeiro passo para a ambição global de sua empresa, que quer começar a operar nos Estados Unidos "dentro de algumas semanas".

Empresa quer dominar tudo relacionado a comida, diz consultor
Na visão de Sérgio Molinari, fundador da consultoria Food Consulting, o lançamento reforça a estratégia do Uber - e de seus concorrentes iFood e Rappi - de se tornarem soluções gerais para comida.

"É algo que faz muito sentido porque é um negócio com muita recorrência, afinal, come-se ao menos três vezes por dia", afirma o consultor.

Segundo ele, a estratégia do Uber de apostar em integração e aquisição com serviços já existentes na região faz sentido. "É uma forma de diminuir a distância para as outras empresas. E é uma

corrida contra o tempo: quem entra num novo mercado com rivais já consolidados tem de queimar muito dinheiro para ganhar espaço", diz.

O lançamento, afirma Molinari, também reforça a consolidação que o setor de comida por aplicativo está passando - nesta segunda-feira, 6, o Uber anunciou a aquisição da americana Postmates, em
movimento que foi visto como resposta à compra do Grubhub pela JustEat, que é uma das acionistas do iFood. "Cada vez mais, o setor de entrega de comida mostra que quem quiser vencer precisa ter
escala. Pode parecer uma disputa só americana, mas os principais membros dela já estão aqui no Brasil", diz. "Nós já estamos dançando a dança da consolidação também."

(Fonte: Bruno Capelas) - 07/07/2020
Como descobrir a história da sua família pela internet

Sites que guardam registros de viagens, documentos e nomes podem auxiliar quem busca mais informações sobre sua árvore genealógica

Muito antes da internet facilitar o compartilhamento das nuances da vida cotidiana, os jornais locais e outras publicações regionais publicavam notícias acerca dos negócios, da sociedade e dos deveres cívicos das pessoas da comunidade. Para quem busca encontrar as raízes de sua família, encontrar um ancestral em um velho jornal microfilmado e ler relatos contemporâneos de sua época na peça da escola ou no campeonato de boliche de todas as cidades oferece um vislumbre do passado que é tem muito mais textura do que um gráfico de nomes e datas.

Adotar uma abordagem mais narrativa da história da família pode ser um projeto de investigação demorado, sem resultados garantidos. Porém, depois de ter um nome e saber quando e onde a pessoa morava, você pode começar sua busca para descobrir como ela vivia. Veja como começar - e como a tecnologia pode te ajudar.

Desenterrando suas raízes
Se você está começando a "escalar" uma árvore genealógica e precisa de nomes para os galhos, um serviço de assinatura como o Ancestry ou o MyHeritage pode ser uma fonte fácil para começar a coletar informações. Além de bilhões de registros digitalizados (como dados do censo, registros eleitorais e religiosos), esses serviços incluem tutoriais, artigos, quadros de mensagens e outras ferramentas para ajudar você a aprender como encontrar sua gente.

Quando você coloca alguns nomes na sua árvore, também pode começar a receber dicas de possíveis parentes - até então desconhecidos - dos algoritmos do site ou de outros participantes do site para ajudá-lo. Se você não tem certeza de que deseja se comprometer com uma taxa de assinatura regular, teste um período de avaliação gratuita.

Encontrando recursos alternativos
O orçamento está apertado? Nos EUA, é possível visitar o site do Arquivo Nacional e sua página "Recursos para Genealogistas" para obter informações quanto a como encontrar registros de terras, documentos de imigração e naturalização, dados do censo, documentos de serviço militar e muito mais. Embora nem todos os registros governamentais possam ser gratuitos ou digitalizados, o National Archives hospeda uma página de links de outros sites de genealogia onde você pode procurar informações. (Aqui no Brasil, o Arquivo Nacional e o Museu da Imigração podem ajudar nesse mesmo sentido).

Alguns ancestrais são mais difíceis de rastrear do que outros. Para famílias separadas pela escravidão ou negligenciadas pelo governo, o site possui uma seção de "herança étnica" com dicas para encontrar ancestrais afro-americanos, bem como para quem procura antepassados chineses, hispânicos, latinos, japoneses ou nativos americanos.

O FamilySearch, administrado pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, requer apenas uma conta gratuita para pesquisar bilhões de registros históricos. O Geni.com (de propriedade do MyHeritage) possui serviços básicos gratuitos de criação de árvores genealógicas e uma grande comunidade social que incentiva os participantes a trabalharem juntos.

Mergulhando nos arquivos
Depois de encontrar seus ancestrais em lugares e anos específicos, procure por acervos dos jornais daquela mesma época. Negociações comerciais, atividades do governo da cidade, reuniões sociais e obituários eram frequentemente relatados em jornais dos séculos XIX e XX. Mas esteja avisado: além da escrita às vezes florida, os artigos de certas épocas e áreas podem estar repletos da misoginia, do racismo e da xenofobia atuais.

Se você tem antepassados estrangeiros, o site de genealogia Ancestor Hunt possui uma seção dedicada à busca de jornais históricos online, e o site Elephind permite pesquisar uma crescente coleção de jornais internacionais digitalizados. Alguns arquivos são gratuitos, outros cobram para visualizar as imagens microfilmadas e os recursos de pesquisa variam.

Newspapers.com é um arquivo com mais de 17 mil publicações digitalizadas datadas a partir dos anos 1700. Após o teste gratuito, as assinaturas começam com o valor de cerca de US$ 8 por mês, mas você pode pesquisar, recortar, salvar e imprimir os artigos encontrados. Aqui no Estadão, você pode acessar o nosso acervo.

Encontrando leituras adicionais
Bibliotecas e sociedades históricas/genealógicas também podem ter livros e periódicos que registraram o desenvolvimento da área e as pessoas que moravam lá, embora você possa ter que visitar esses lugares pessoalmente para ver o material original, caso não tenha sido digitalizado. (Algumas bibliotecas também oferecem acesso gratuito aos serviços comerciais de genealogia.)

À medida que os assentamentos cresciam, os historiadores locais costumavam escrever livros que descreviam esse desenvolvimento e suas famílias fundadoras. Muitos desses volumes agora estão digitalizados em domínio público; pesquise no Google Livros ou no Arquivo online da cidade ou do município em questão.

Seus parentes também podem aparecer nos serviços de registros vitais dos estados onde eles moravam. O site RootsWeb oferece dicas em relação a como pesquisar em sua coleção de documentos oficiais de recursos estaduais e municipais dos Estados Unidos.

E, finalmente, se o enterro era uma tradição da família, tente o site Find a Grave, um banco de dados onde se pode fazer pesquisas de cemitérios, como o Newspapers.com, também de propriedade da Ancestry. O site ainda está crescendo e geralmente inclui obituários publicados e fotos de túmulos, para que você possa visitar remotamente e ver onde seus ancestrais, em última instância, estão./TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

(Fonte: J. D. Biersdorfer) - 07/07/2020
iPhone 12 pode ser vendido sem carregador e fone de ouvido, diz analista

Segundo o analista Ming-Chi Kuo, que costuma fazer previsões certeiras sobre os lançamentos da empresa, a Apple não vai mais incluir os itens na caixinha do iPhone para diminuir custos e manter o aparelho em preços semelhantes ao iPhone 11

Quem aguarda o lançamento do próximo iPhone no fim do ano pode ter uma surpresa: a Apple está considerando não incluir fones de ouvido com fio e carregador do aparelho no kit do smartphone. A informação foi divulgada pelo site 9to5Mac neste domingo, 28, baseada nas informações do analista especializado na marca Ming-Chi Kuo - há anos, ele costuma fazer previsões certeiras sobre os lançamentos da empresa.

De acordo com o site, a Apple pretende vender o iPhone 12 com preços semelhantes à sua versão anterior. Para isso, reduzir a quantidade de itens na caixinha pode ser uma solução para deixar o kit mais barato e ainda incrementar sua loja de produtos com a venda separada dos acessórios.

Ainda não está claro, porém, se o cabo de carregamento vai estar presente na embalagem. Kuo ainda relembra que a Apple está apostando nos carregadores de 20W, que serão vendidos separadamente e vão substituir os outros dispositivos de 5W e 18W, indicando que a Apple não vai mais produzir os carregadores de potência menor.

Segundo o site, ainda sem data de lançamento, o iPhone 12 está previsto para ser lançado em quatro versões: uma menor, com tela de 5,4 polegadas, dois modelos com tela de 6,1 polegadas e a versão "max", com tela de 6,7 polegadas — maior que a tela do iPhone 11 Pro Max, que é de 6,5 polegadas.

(Fonte: Redação Link - Estadão) - 29/06/2020
Índia proíbe 59 aplicativos, incluindo TikTok e WeChat

A Índia proibiu 59 aplicativos para smartphone, a maioria chineses, incluindo TikTok, UC Browser da Alibaba e WeChat da Tencent, citando preocupações de segurança, informou o governo em comunicado nesta segunda-feira.



Manifestante na Índia mostra cartaz defendendo boicotes contra a China. 18/6/2020. REUTERS/Amit Dave

Foto: Reuters

Os aplicativos são "prejudiciais à soberania, integridade e defesa da Índia, segurança do Estado e ordem pública", afirmou o Ministério da Tecnologia da Informação.

A proibição ocorre após um conflito na fronteira entre os dois países no início deste mês, no qual 20 militares indianos morreram.

(Fonte: Reuters) - 29/06/2020
A PANDEMIA NOS TORNOU MAIS REFÉNS DA TECNOLOGIA, AVALIA O FILÓSOFO JOÃO DE MORAES

Doutor pela Unicamp, mestre pela Unesp, Moraes conversou com o Tele.Síntese sobre as transformações que a pandemia trará à relação humana com a tecnologia. Diz que, neste momento, a crise expõe desigualdades informacionais e propõe o acesso gratuito à internet como remédio.

Em meio ao isolamento social ocasionado pela pandemia do Covid-19, o uso das tecnologias se intensificaram. De acordo com a pesquisa Hibou e da plataforma de dados Indico, de 2.400 entrevistados em todo o país, 59,9% dos brasileiros estava trabalhando em home office no mês passado.

O fenômeno trouxe reflexos sobre as redes das operadoras, que passaram a funcionar com tráfego mais intenso, especialmente em áreas residenciais ao longo do dia. Mas tem impacto também sobre o funcionamento da sociedade, nosso estilo de vida e escancara as diferenças, como bem aponta o professor João de Moraes.

“A pandemia altera a forma como a gente se relaciona com a tecnologia, de modo que acabamos ficando mais reféns dela”, avalia. Moraes é doutor em Ética Informacional pela Unicamp, mestre pela UNESP, coordenador e professor do Departamento de Filosofia da Faculdade João Paulo II (FAJOPA), e falou com o Tele.Síntese de sua casa, numa entrevista feita por telefone.

A pandemia se dá em um momento de transformação digital da sociedade e da chegada da 5G. E já serve para explicitar diferenças que precisam ser reduzidas. “O que a gente tem com a pandemia é uma amplificação das desigualdades sociais em quaisquer estágios que você queira analisar, vemos por exemplo, a diferença da possibilidade de estudo entre as escolas particulares e as estaduais, nas questões educacionais”, explica.

Segundo ele, a crise sanitária vai catalisar transformações, gerar ansiedade e levará as pessoas a repensarem o uso excessivo que fazem da tecnologia quando a poeira baixar. Será preciso buscar a compreensão de que precisaremos ter momentos de “modo avião”, diz. Leia abaixo a conversa que tivemos com o acadêmico.

Tele.Síntese: De que maneira a pandemia mexe com a forma como nos relacionamos com a tecnologia?

João Moraes: A pandemia altera a forma como a gente se relaciona com a tecnologia, de modo que acabamos ficando mais reféns dela. Com essa política de isolamento que é a sugestão da OMS, sendo o mecanismo mais adequado para lidar com esse tipo de contexto, a tecnologia fica como uma saída para que a gente possa ter um contato com o mundo externo, é a manutenção da nossa dinâmica rotineira. Então, acredito que a tecnologia acaba se amplificando no nosso dia a dia de um modo que, por mais que tenhamos nos acostumado a utilizá-la na circunstância massiva, houve uma intensificação quase que abrupta da quantidade de tempo que a gente passa nesse artefato tecnológico.

Tele.Síntese: Essas mudanças serão permanentes?

Moraes: Podemos ter duas situações possíveis, uma é o aprimoramento da qualidade do uso da internet, as pessoas começarão a melhorar sua capacidade de noção e entendimento de como esse ambiente funciona, e como ele pode servir. Mas, também às vezes podemos entrar numa situação de cansaço e exaustão, por conta do conteúdo massivo e a obrigatoriedade em algumas situações na vida cotidiana do uso da tecnologia para que a gente possa dar conta dos nossos compromissos

diários. Pode ser que após a pandemia as pessoas comecem a repensar a quantidade de tempo permanente nesse mundo virtual.

Tele.Síntese: Haverá alguma mudança significativa do uso que fazemos da internet?

Moraes: O significativo, pode ser entendido nesse caso como nesse sentido de sabedoria de utilização, manuseio da internet e conhecimento de novas plataformas. Um exemplo básico são as plataformas de videoconferência, que já estavam aprimoradas antes da pandemia, mas apenas uma pequena parcela da população conhecia esse tipo de tecnologia. É um exemplo simples do avanço significativo da internet. Graças à pandemia, a gente acaba tendo um conhecimento maior dos usos

possíveis da internet, de uma forma que extrapole apenas o uso das redes sociais.

Tele.Síntese: A pandemia acontece, por coincidência, em um momento de forte transformação na conectividade. A 5G chegou a muitos países, metade da população mundial acessa a internet, as internet das coisas caminha para ser muitas vezes maior em fluxo de dados do que a “internet humana”, a inteligência artificial já virou exigência nas empresas que queiram continuar existindo. Qual o papel do humano no futuro? A pandemia já dá pistas desse papel?

Moraes: Acredito que o papel do ser humano é justamente fazer uma posição crítica da qualidade e das questões éticas por trás da manipulação da informação. A questão da 5G está sendo discutida e começando a ser incorporada no Brasil, mas ainda há uma discrepância gigantesca em relação ao próprio acesso a internet comum, banda larga ou a 3G. O papel do ser humano nesse contexto da sociedade de informação, no qual as tecnologias dialogam entre si, está nos caminhos que essas tecnologias podem vir a percorrer, e principalmente nas tomadas de decisões. Temos a tecnologia de big data que interage justamente com esses tipos de tecnologias citadas, elas direcionam muito sobre as decisões tomadas no campo do humano, então o papel fundamental do ser humano nessa sociedade que está por vir é ter um posicionamento crítico acerca dos limites da utilização dessa tecnologia.

Tele.Síntese: O uso constante das tecnologias durante o isolamento pode ser considerado mais benéfico ou tende a ser prejudicial? Você já deve ter ouvido reclamações de amigos que estão trabalhando mais em casa do que na empresa…

Moraes: Acho que vem muito da pré-pandemia, de como o uso já era feito, acho que a gente tem um certo tipo de uso de intensificação, no sentido que podemos ter benefícios ao tentar manter a normalidade da nossa vida e pode ser prejudicial nas questões emocionais que surgem na pandemia, como ansiedade, falta de compreensão de o que vai ser do futuro, de quando isso vai acabar… Então a internet acaba contribuindo para uma tentativa de a gente manter nossa

rotina, porém ela também acaba carregando problemas que são intrínsecos, como maior consumo de informações de fontes duvidosas, uma enxurrada de informação que ao invés de contribuir para a ansiedade, a prejudica.

Vivemos em bolhas informacionais, ou seja, a gente busca as informações que nos agradam. Acredito que com o maior consumo de internet, vamos estar cada vez mais dentro da nossa bolha, já que não há o contato com pessoas que não estão na nossa bolha, temos menos conflito com as diferenças, e com menos conflitos, temos menos conhecimento efetivo, conhecimentos adequados. Dessa forma, gera-se uma crise de conhecimento complicada.

Tele.Síntese: Como podemos evitar esse sentimento de ansiedade com o uso constante da tecnologia?

Moraes: A ansiedade já é considerada uma doença gerada pelo uso intenso da tecnologia, devido à essa necessidade de ter um acesso e de verificar se tem alguma novidade o tempo todo. Acredito que uma estratégia para a gente conseguir lidar com ansiedade de informação de uso da tecnologia é adequar alguns hábitos e tentar aos poucos viver no modo avião.

Tele.Síntese: Qual parcela da população sofre um maior impacto no decorrer do isolamento? É possível suprir tais impasses com auxílio de serviços de sistemas de comunicações? Há um risco de a pandemia aprofundar diferenças sociais, com base na conectividade?

Moraes: Com certeza a população classe baixa, e por vários motivos. Na questão da educação, por exemplo, a alternativa é de manter a regularidade do sistema à continuação com a tecnologia, mas boa parcela da população não possui uma conexão, e boa parte da população não tem nem espaço que permita o estudo, caso tenha acesso ao computador. O público da classe baixa tem que ter a condição de fazer um bom isolamento social.

Temos uma excelente alternativa com a oferta de internet gratuita, é um primeiro passo muito interessante. Ele é necessário, porque começa a dar oportunidade para as pessoas que não têm poder aquisitivo de acessar a internet. O segundo passo, seria o uso adequado da internet, já que as pessoas iriam começar a tomar consciência de toda a possibilidade que a internet oferece. Acredito que sim, o primeiro passo para contribuir com uma diminuição da desigualdade em relação a conectividade é a disponibilização de planos gratuitos.

Tele.Síntese: Há um risco de a pandemia aprofundar diferenças sociais, com base na conectividade?

Muito! O que a gente tem com a pandemia é uma amplificação das desigualdades sociais em quaisquer estágios que você queira analisar, vemos por exemplo, a diferença da possibilidade de estudo entre as escolas particulares e as estaduais, nas questões educacionais. Outro tipo de desigualdade social é a de lavar as mãos. Boa parte da população não tem água diariamente, e a recomendação básica é lavar as mãos. Temos um grande problema de acesso a internet também. Muitas pessoas têm acesso gratuito apenas às redes sociais, e o que excede a isso não faz parte do acesso dessas pessoas, então você depende dessas informações que são compartilhadas nas redes sociais, o que cria um abismo entre as pessoas que têm acesso à informação e as que não tem. Isso acaba tendo um impacto social, político e econômico muito grande na sociedade.

Tele.Síntese: Em razão do Coronavírus, várias medidas foram tomadas por grandes empresas do setor, como a criação de uma carteira digital para famílias de baixa renda e acesso gratuito a salas de aula virtuais. A pandemia precipitou transformações que ainda demorariam alguns anos para sedimentar?

Moraes: Acredito que sim. A pandemia chegou e permitiu que vejamos na prática medidas que já estavam sendo planejadas, ela acelerou diversas decisões possíveis. Em relação a essas medidas, a questão é que agora que já foi implementada, a gente consiga dialogar e verificar de que modo está sendo efetivado e utilizado para que não tenhamos problemas para os cidadãos futuramente.

Tele.Síntese: A privacidade antes da pandemia já era motivo de preocupação, com o uso mais intenso da internet para intermediar relações que antes, os rastros digitais ficam mais longos. Como as pessoas conseguirão manter o controle sobre os dados pessoais que circulam por aí?

Moraes: A questão é se é possível, e acredito que não seja. É muito difícil que as pessoas consigam uma segurança dos seus rastros digitais, especialmente por causa das aprovações feitas de forma imediata e sem debate mais aprimorado.

Ainda mais com a questão da LGPD, que foi postergada para o ano que vem. Então, com os mecanismos políticos de controle e segurança de dados jogados para frente, fica difícil haver uma credibilidade, visto que há um histórico de roubo de dados no país. Seria possível se houvesse mecanismos que os indivíduos pudessem utilizar para reivindicar seus direitos de proteção à privacidade.

Tele.Síntese: Na sociedade conectada a informação circula rápido e suas consequências aparecem mais rapidamente. E causa forte reação social – como o aparecimento de grupos extremistas. Há uma vertigem informacional? Isso gera reação, como intolerância, busca por soluções simples para temas complexos? Qual a saída para o que parece ser uma erosão da relação cordial entre as pessoas na internet?

Moraes: Sim, com certeza. Uma das coisas que faltam para a nossa maturidade de manipulação da internet, é justamente uma capacidade de filtrar as informações que a gente tem acesso, porque cada vez são mais informações, a conectividade é cada vez maior e há mais pessoas produzindo informação. Com isso, temos uma enxurrada de informação diária, e acabamos tendo, cada vez mais, um inchaço dessa bolha virtual que culmina grupos extremistas, por exemplo, e gera essa vertigem.

A saída seria a humildade, entendermos que podemos estar errados, e que nem tudo o que achamos, realmente corresponde com a realidade. Temos que conseguir fazer o movimento de confronto de uma maneira educada. Muitas pessoas ainda estão conhecendo o que a internet pode ofertar e essa utilização da tecnologia acaba requerendo uma maturidade de uso. Creio que uma alternativa nesse contexto de isolamento é acelerar o nosso amadurecimento digital, que consigamos desenvolver essa cordialidade no ambiente online também.

*Flávia Gonçalves é estagiária no Tele.Síntese

(Fonte: FLÁVIA GONÇALVES) - 22/06/2020
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